Muito prazer, Disciplina!

Muito prazer, Disciplina!

  • Por Paola Sansão

– Olá, Disciplina, muito prazer, podemos ser amigas?

– Há muito tempo tento me aproximar de você, mas você costumava me ignorar…

– É que, confesso, achava você muito certinha, careta, sabe?

– Sei… é que muitos me confundem com minha irmã, a Rotina. Ela faz um bom trabalho e muitas pessoas acabam me conhecendo através dela, que é mais popular do que eu. Mas às vezes ela exige tanto das pessoas que acaba deixando todo mundo cansado.

– Puxa, vocês são tão parecidas que acabei me confundindo, pensei que eram uma só.

– Não somos tão parecidas assim, se notar bem. Para mim não é preciso que as coisas sejam feitas sempre da mesma maneira ou por obrigação. Para mim o que importa é a energia que se coloca em cada ação quando se quer atingir um objetivo. É o empenho, a persistência, o foco em fazer o que se propõe. É suar, errar e não desistir, prosseguir, fazer de novo e outra vez. Os resultados da minha companhia são, invariavelmente, um aprimoramento de si mesmo e a auto realização. Aquela impagável sensação de superação, de alcançar um objetivo e dever cumprido, que traz satisfação consigo mesmo.

– Acho que andei tempo demais na companhia da Rebeldia…

– A Rebeldia não é má companhia de vez em quando, se você estiver mais próxima de mim. Inclusive ela pode ser bem interessante para alguns divertimentos esporádicos. Ela faz com que a vida não seja tão rígida, coisa que minha irmã Rotina adora. O problema são as companhias que a Rebeldia acaba convidando, a Preguiça e a Auto-Sabotagem. Essas são ervas daninhas de qualquer relacionamento com a prosperidade. Elas seduzem, acomodam e transformam a vida num tentador cenário de conforto, um irresistível sofá que te acolhe e vai ficando cada vez mais macio, você vai se afundando e quando se dá conta está emaranhado em almofadas aveludadas. Ah, são tão macias… porque sair agora? Só mais cinco minutinhos… Amanhã eu começo… Segunda-feira…

– Uau, me reconheço neste sofá! Como sair? O que devo fazer para me desvencilhar deste conforto sedutor?

– Você já não está mais se sentindo confortável, afinal quer sair, certo? Os dias, anos estão passando e você vai envelhecer aí? Criar teias de aranha feito seus sonhos e projetos? Quão incômodo é isso para você? A zona de conforto já se tornou zona desconforto.

– Sinto sua mão estendida para mim.

– Sim, sempre estive aqui, te aguardando. Todos vocês são uma grande promessa divina e têm uma força que subestimam. Deixe cair suas cascas, sua poeira de crenças, é hora de brilhar. É tempo de luzir de dentro para fora e mostrar ao mundo a que veio. Você não veio a passeio e sabe disso.

– Sinto que há uma energia latente dentro de mim, que venho represando há muito tempo. Ela quer fluir, quer sair, correr livre. Do que eu tenho medo?

– Talvez você descubra do que tem medo ou talvez perceba que os medos eram apenas fantasmas que você alimentava, frutos de sua própria imaginação. Sua cura está em fazer. Comece. Permita-se fazer o que tem vontade. Use sabiamente o seu tempo, você sabe como. Só falta pegar na minha mão.

– Mas o tempo… Sinto-me estancada quando penso na quantidade de atividades que tenho a desempenhar num dia.

– Não se trave. Apenas comece o movimento. Não se cobre, não é necessário fazer tudo, dar conta de tudo. Eu não cobrarei isso de você. Comece aos poucos. Seja gentil com você e eleja primeiro o que mais lhe dá prazer. Um pouquinho por dia é um ótimo começo. Assuma esse compromisso e seja fiel a você mesma, lembrando que estará dedicando um breve momento para fazer o que mais ama, para realizar o seu sonho. Então seu moinho interno começará a se mover, fazendo fluir as águas há tanto tempo paradas. A vida florescerá, transmutando o pântano em rio cristalino. Isso gerará uma energia positiva em sua vida e um entusiasmo que lhe darão forças para assumir compromissos comigo que transformarão a sua vida. Uma Real metamorfose.

– Te agradeço por todos os ensinos. Por estar sempre disponível e a postos. Agora a vejo. Agora a aceito. Pego em sua mão e me levanto do sofá. Vou contigo.

– Meus melhores amigos são e sempre foram as pessoas que a humanidade considera geniais. Todos, sem exceção, andam de mãos dadas comigo. Suam, empenham-se, superam-se, dedicam-se, persistem e não desistem perante os “erros”. Ah, a potência que mora nos erros! Bem-vinda ao meu rol de ilustres amigos!

– Disciplina é liberdade!

– Sim, esse é meu sobrenome.

Author Leitor Inspirado

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Join the discussion One Comment

  • Ernani Moura disse:

    Sensacional esse post. Me peguei pensando esta semana nas atividades que tenho e pretendo fazer, projetos ainda no papel. E após meus recentes 30 anos, tudo isso venho a tona e me fez pensar que preciso exatamente disso, da disciplina de mão dada para que tudo isso seja possível. Esse post não foi por acaso.

    …sigo no fluxo.

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