Não é competição, é superação

Não é competição, é superação

By 14 de setembro de 2015 Combustível No Comments

– Por Paola Miorim –

Para quem pratica esporte os desafios são uma motivação. Uma forma de expandir seus limites.
E a cada dia surgem desafios diferentes, um mais ‘maluco’ que o outro. Um dos maiores desafios para um corredor é a maratona, e tem uma em particular que são 42km de subida, na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Alguns perguntam… “Porque uma pessoa ia querer fazer essa maratona, sofrer do começo ao fim?” rs
Mas o fascínio pela superação segue quem ama corridas ou esportes em geral.
Existe uma frase que é a pura verdade: “Quer correr, corra uma milha. Quer mudar sua vida, corra uma maratona.”

Porque na maratona, como na vida, é plantar e colher. Não há como fingir, ou você treina, ‘corre’ atrás e alcança o que quer, ou não consegue. Não existe enrolação.

Nesse contexto, fui conversar com o André Holanda, um maratonista que resolveu enfrentar a temida Serra do Rio do Rastro, para entender as lições dessa maratona.

Fale um pouco sobre você:

Sou Andre Holanda, um maratonista “condenado” a nunca mais correr. Em 2006 comecei a correr para emagrecer, corria 10km todo dia pela manhã. Em 2007 comecei a sentir muitas dores na coluna e fui diagnosticado com hérnia de disco e orientado por três médicos a nunca mais correr. O problema é que eu já conhecia a sensação de correr, a endorfina no corpo, as vantagens infinitas.

Foi uma busca por vários meses até encontrar um médico que me disse “você vai correr, mas precisa aprender a lidar com as dores”. Foi assim que resolvi correr uma maratona, para mostrar para mim que eu poderia correr o quanto quisesse.

Atualmente já tenho 4 maratonas no currículo e ano que vem vou encarar minha primeira ultra.

Acho importante contar essa história para mostrar que todo mundo pode correr, independentemente das suas “limitações”.

O que é a UpHill e como surgiu a ideia de participar?

A UpHill é uma maratona da Mizuno desenhada para ser genuinamente difícil. De fato, é considerada a maratona de asfalto mais difícil do Brasil, com 42km e quase 1500 metros de elevação. Conheci a UpHill na sua primeira edição, em 2013, onde apenas atletas convidados puderam correr. Em 2014 surgiu a possibilidade de inscrição para o público aberto, mas achei que ainda era muito cedo para alguém com apenas 1 maratona no curriculum. Quando vi a abertura para as inscrições de 2015 não pensei duas vezes. Garanti minha vaga naquele mar de gente lutando pela sua oportunidade de subir a serra. Era hora de treinar.

Quanto tempo treinou?

Meus treinos foram mesclados para 2 maratonas, a maratona de SP 2015 e a UpHill. Como a UpHill era meu foco, optei por não forçar muito na maratona de SP. O tempo de treino para a UpHill foi o mesmo do padrão para qualquer maratona, foram 17 semanas. A diferença é que são treinos com muitas subidas e com musculação direcionada para essa prova.

Como foi a prova?

A prova foi sensacional! Muito bem organizada, havia muitos pontos de hidratação e os que eles chamaram de Special Points, com banana, gel de carboidrato, castanhas, refrigerante e todo tipo de suporte. Não foi tão frio quanto esperávamos, mas com mais subidas. Em diversos momentos nós passávamos por crianças que estendiam a mão para nos cumprimentar, famílias nas portas e janelas de casa gritando por nós, muita gente gritando “Seus malucos” rs. Na subida encontrei várias pessoas com dor, pressão baixa e todo tipo de problema… isso faz parte de uma maratona, é um desafio físico e psicológico para qualquer um. Demorei mais de 2h para subir o último trecho da serra, caminhando forte e determinado a chegar ao topo… nosso objetivo. Faltando 1km pude ouvir as músicas da chegada, a gritaria… toda essa emoção nos dá uma força que ainda não descobri de onde sai.
Voltei a correr, enxerguei o pórtico e alguns amigos comemorando a minha chegada. Após atravessar o pórtico fui encaminhado para um restaurante onde nos receberam com muito cuidado, alimentação e a cobiçada camisa de “Survivor”.5. Quais os ensinamentos que você tirou dessa experiência? A corrida foi a única coisa que me fez acreditar que existem pessoas boas por todo lado. Aprendi que não se deve subestimar a subida, ela cobra um preço caro. Aprendi que todos somos tão fortes quanto a serra. Conheci poucos que foram vencidos pela subida, cada um dos outros venceram os 1500m de altitude no seu tempo.
Você precisa ter um objetivo, um propósito para subir a serra. Caso contrário, você não terá motivação para chegar ao topo. Minha motivação é lembrar de que disseram que eu nunca mais poderia correr e poder provar para mim que eu posso fazer o que quiser.

Falando um pouco da paixão por corrida, o que significa pra você?

Tem uma frase que gosto muito e acho que vai definir bem essa resposta. “Te desafio a treinar para uma maratona e isso não mudar a sua vida.” O treino para a maratona te exige muita dedicação, foco, sacrifícios, suportar a dor, saber lidar com frustração, cumprir compromissos (com você mesmo) e te dá uma satisfação pessoal que quase ninguém vai entender. Tudo isso são benefícios que se aplicam a todo momento em nossas vidas. Acredito que a maratona nos ensina a viver melhor. Você não precisa correr uma maratona, apenas treinar para ela… mas aí você não treinaria com um propósito.

Como você vê esporte na vida de uma pessoa?
Minha visão quanto a isso é um tanto poética… romântica. Acredito realmente que o esporte tem a capacidade de mudar uma pessoa, aliás, acredito que seja uma das poucas coisas com esse poder. Não digo apenas de pessoas que estejam no “caminho errado”, mas também pode ensinar o espírito de liderança, perseverança e dedicação a todos, desde uma criança até mesmo a um executivo de sucesso.

Você acredita no esporte como um agente transformador na vida das pessoas?

Acredito que vai além. Acredito ser um divisor de águas na vida das pessoas e uma chave para o sucesso pessoal, profissional e em todos os relacionamentos.

Essa visão poética do André é a mesma da maioria dos apaixonados por esporte. É realmente a capacidade de melhorar como pessoa, de se superar, que faz valer a pena todo o esforço. No esporte e na vida.

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Author Paola Miorim

Empreendedora, apaixonada pela vida, pelas filhas, pela natureza, por esporte, por autoconhecimento. Sempre em busca de uma vida com propósito, em todas as áreas..

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