O que um mochilão me ensinou!

O que um mochilão me ensinou!

Quem me conhece sabe que amo viajar, mas amo mesmo. Uns dizem que é para fugir dos problemas, outros me acham corajosa. Pra mim não importa, é genuíno meu amor por esse hobby. Mas viajar pra mim não se resume a sair para me divertir. Viajar pra mim significa sair para me desafiar, me descobrir, para tirar os véus do mundo e de mim mesma.

No geral, nós os brasileiros gostamos de viajar para ficar em resorts, comer muito bem, ter o luxo que não temos no dia dia, tomar caipirinha na beira da praia, comprar, comprar, comprar. Esse modelo de viagem deixou de fazer sentido pra mim desde que fiz meu primeiro mochilão pela Asia, sozinha. Foram quase 2 meses e um período conturbado, pois havia ameaça de tsunami, devido a um tremor na Nova Zelândia, havia gripe suína para todo lado e mais, terroristas haviam soltado uma bomba em Jakarta dias antes de eu embarcar para Indonésia.

“Roberta, sua louca! Não pode ir! Para que se arriscar tanto, parece até suicida!”- muitos diziam.

Mas fui, sem medo de ser feliz…sonho é sonho, estava prestes a realiza-lo após um ano de preparação, nada ia me parar.

Pqp, a melhor coisa que fiz na vida!

À partir daí, minha concepção de viagem passou a ser outra, e de vida, nem se fala. Hoje, estou no 15 dia do meu quarto mochilão, esse pela América do Sul, com meu parceiro, Rodrigo. Essas viagens deram um verdadeiro reset na minha mente. Mudei totalmente a maneira de enxergar nossa cultura, de me enxergar no mundo e entendi que tudo, absolutamente tudo é relativo. Qualquer verdade absoluta só pode ser relativa…afinal, quem é Jesus para um burmês? Jesus, quem é esse mesmo? Comer vaca na India? É pior que matar sua própria mãe! Ter cachorro de estimação na Indonésia? Sai fora, cachorros são homens reencarnados que não evoluíram, coisa do demônio…já gatos pretos trazem sorte! Homens usarem saias em Myanmar? Ah sim, significa homem digno, de família! Assim como as mulheres, nesse mesmo país, pintam duas bolas brancas nas bochechas…quanto mais brancas as bolas, mais bonitas são as mulheres! E mostra as canelas pra ver o que acontece…perversão! Já arrotar na cara das pessoas, problema algum…nem na India, nem na China. E no Perú, não tem um brinquedinho para calar a criança que chora? Dá um pato morto pra ela brincar que fica tudo bem! E na cultura budista asiática, que usar colchão e travesseiro é luxo e gera apego? Nada que gere apego é permitido, portanto, dorme-se no chão…seco, duro e frio…como fizemos também. Sacrificar crianças e oferecer seus corpos aos deuses era prova de fé para os que viviam em Machupicchu…que vai dizer que estão errados?

Essas histórias e vivências, dentre tantas outras, me fizeram enxergar tudo de forma tão relativa, que hoje, nada mais pra mim pode ser verdade absoluta. Hoje sinto que posso navegar entre as crenças e verdades com tanta fluidez que as vezes até me faltam muros…sinto que tudo pode ser, como dizer que alguém está certo ou errado? Como? Abraçar as diferenças, e mais, escolher qual o ponto de vista mais conveniente posso adotar diante de cada situação da vida, é o que mais me fascina. Essas viagens me ensinaram a ser livre e desapegada de formas, conceitos e coisas. Poucas mulheres conseguem passar 3 meses com uma mochila de 15 kilos…e como isso faz bem! Saber que tudo que você precisa, sua “casa”, está dentro de um pacote que pode ser montado e desmontado em 15 minutos! Que sensação de liberdade isso proporciona!

Aprendi que quem muito fala da vida dos outros, poucas ideias tem na mente. Aprendi que compartilhar quarto, banheiro, cozinha e sala com desconhecidos pode ser surpreendente e que esses podem se tornar grandes amigos. Aprendi que o bom humor e a gentileza abrem portas em qualquer cultura. Aprendi que brasileiros exportam cultura para todo o mundo (e estão por todo canto). Aprendi que os rituais e a espiritualidade estão presentes em todos os povos, cada um da sua forma, mas o humano no geral acredita em algo maior e extra-físico. Aprendi que seres humanos só querem companhias e se sentirem queridos. Aprendi que todos somos nômades, mas que cada um expressa da sua maneira. Aprendi que a globalização já alcançou até os povos mais primitivos, e que até os monges fazem selfie. Aprendi a abraçar a diversidade e a desafiar o status quo. Aprendi a simplificar minha vida e minha casa. Aprendi que tudo é passageiro, tanto as coisas boas quanto as coisas ruins. O mais importante, aprendi que, o que se leva dessa vida é a vida que se leva, o resto são somente agendas cheias de compromisso…maia, pura ilusão.

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Author Roberta Martiniano

Empreendedora, Designer em Sustentabilidade pelo Gaia Education, gerente de projetos, publicitária, filha de artista, reikiana, aquariana, yoguini, viciada em viagens e música, ama meditação e espiritualidade. Carioca de coração, e totalmente apaixonada pela dupla sol e mar!

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