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Por que casar?

By 15 de outubro de 2014 Combustível One Comment

– Por Flavia Melissa –

As vezes me perguntam por que que o sistema em que vivemos vem tão desesperadamente batendo na tecla de que quem se casa é normal, e que não há felicidade em estar solteira. Independentemente de qualquer nível social, idade ou religião, por que é que parece que precisamos ter alguém para sermos realizados e felizes, normais, ainda que o relacionamento seja infeliz?

Antes de qualquer coisa precisamos entrar em um consenso: o casamento monogâmico, tal qual conhecemos hoje em nossa sociedade, existe há menos de mil anos e foi implantado pela Igreja Católica, em meados dos anos 1000 DC. Então, a verdade é que, perto do tempo de existência do ser humano sobre a face da Terra, que data de 200 mil anos e que há 50 mil anos adotou o comportamento moderno, o casamento é MUITO recente.

Se adotarmos este ponto de vista, vemos que na verdade o que consideramos uma “regra” é, na verdade, uma das fases de um processo de transformação que vem ocorrendo e que vai continuar a ocorrer nos próximos anos. Absolutamente tudo o que existe está em constante transformação, e com o ser humano não poderia ser diferente. Mas veja só que coisa: para notarmos o movimento de mudança, se torna necessário algo que fique estático. Sem o estático não há o dinâmico – é só porque algo está estático que somos capazes de perceber que algo está se movendo. E este, que fica estático – ou que se move tão lentamente que mal percebemos o seu movimento – é o sistema de crenças.

Veja só: antigamente, mais precisamente, antes da primeira guerra mundial (que na escala do tempo da existência humana sobre a face da Terra foi “anteontem”), as mulheres ficavam em casa e os homens trabalhavam. As mulheres TINHAM DE SE CASAR, porque se não casassem, quem iria sustentá-las? Vem daí a expressão “ficar para a titia” – a mulher que não se casava ia morar com a irmã casada ou com o irmão, e em troca de sustento, tomava conta dos sobrinhos. Ser tia era basicamente sua profissão. E os homens também precisavam se casar, caso contrário quem cozinharia, lavaria e passaria suas roupas? Como ele teria filhos que perpetuariam sua família? Então o casamento era algo muito conveniente, antes de qualquer outra coisa.

Mas aí aconteceu uma guerra, e os homens tiveram que ir para a batalha – e as mulheres tiveram que começar a trabalhar, caso contrário quem manteria a sociedade funcionando? E as mulheres gostaram disso. E quando os homens voltaram da guerra, elas chegaram a queimar sutiã em praça pública para mostrar seu descontentamento em viver “amarradas” dentro de seus papéis antigos. E deu no que deu: a sociedade moderna. Hoje em dia o casamento não é mais necessário: podemos ter filhos, e nos sustentar, e viver a vida sem nenhum tipo de “amarração”. Homens e mulheres podem escolher o que querem, e não há mais nenhum tipo de obrigatoriedade a respeito de nada: a não ser a que existe dentro de nós, que internalizamos o sistema de crença e temos muita dificuldade de romper com as convenções que existem enterradas tão profundamente dentro de nós.

A verdade é que “a sociedade” não é uma pessoa, e não está apontando nenhuma arma em nossas cabeças, nos obrigando a casar; se alguém se sente assim, é porque este assunto o aflige. E se o aflige, a aflição é dessa pessoa, não da sociedade. A sociedade está mudando, a passos lentos, como é de se esperar, mas está mudando – na sua própria velocidade. E as coisas são como são – e serão como serão, andarão em seu próprio ritmo.

O desconforto é criado por nós mesmos. Se internalizamos a ideia de que o correto é se casar mas não queremos, ficamos em uma briga interna. Acredite em mim: mesmo que “a sociedade” demore séculos para mudar, quando NÓS mudamos,  o desconforto muda também. E quando ele se transformar em aceitação e serenidade, “a sociedade” poderá gritar nos seus ouvidos, que você não vai se importar. Você estará em paz, e é isso que importa.

Originalmente publicado AQUI!

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Author Flavia Melissa

Flavia Melissa é psicologa, especializada em Psicologia Clínica e Pós-graduada em Acupuntura Tradicional Chinesa e Moxibustão no Brasil e na China. É Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e instrutora de Qi Gong Medicinal. Iniciada em Filosofia Taoísta pela Sociedade Taoísta do Brasil e terapeuta Floral de Minas. Iniciou o Projeto Vagalume no Youtube em 2012 e seus vídeos são um sucesso de visualizações.

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