Bike, Budha e Bagan!

Bike, Budha e Bagan!

By 22 de agosto de 2014 Na Estrada! 2 Comments

– Por Rodrigo Borges –

Empolgados com as cenas que vimos neste vídeo chegamos ansiosos a Bagan!

[embedvideo id=”www.youtube.com/watch?v=mq_L18_N6UE” website=”youtube”]

Fim de tarde quente, alugamos uma bicicleta, saímos pela única estrada asfaltada que tinha na redondeza e na primeira curva a visão cinematográfica de um conjunto de templos informou: O sonho virou realidade! Imediatamente viramos a direita pela estrada de areia fofa, a dificuldade de pedalar não foi suficiente para atrapalhar o desejo de chegar.

Paramos a bicicleta e entramos no maior dos templos de um conjunto, fomos surpreendidos por uma imagem maravilhosa, o sol entrava pela pequena porta e iluminava  rosto de um Budha grande que estava no interior, e ali estavam eu, a Roberta, 2 bicicletas e uma construção de mais de 1000 anos. Estávamos em extase e por ali ficamos 40 minutos encantados! Essa paz foi quebrada pelo som da moto de um segurança que com três minutos de conversas, aliás de mímica, pois dificilmente se encontra algum nativo que fala inglês, ele nos convenceu apontando e pronunciando a palavra sunset! Para qualquer amante da natureza, esse é um convite irrecusável. Seguimos juntos até uma construção próxima, subimos aqueles dois andares abandonados e no terraço a visão do filme que nos convenceu estava ali diante dos nossos olhos. Que emoção!
Um planalto com o topo de milhares de templos, pagodas e monásterios dividiam a paisagem com palmeiras e coqueiros enquanto o sol dava a tonalidade alaranjada e ia calmamente descendo. No final do espetáculo voltamos felizes da vida.

Folga na Direção - Bagan

No outro dia levantamos e com mapa na mão e uma e-bike alugada saímos para vivenciar aquele cenário com construções milenares, budhas e monges para todo lado, seguíamos cruzando com charretes, carros de boi e algumas mulheres locais que cuidavam do gado que ainda pastava pelo meio dos escombros. Como viemos na baixa temporada, por muitos momentos estivemos sozinhos nas estradas e nos templos, o que tornou ainda mais fascinate todo o percurso. Sabe aqueles sonhos de criança de quando entramos em um túnel e voltamos milhares anos no tempo, ali pude vivenciar um pouco!

Pra você entender as ruínas de Bagan cobrem uma área de 41 km e a maioria das suas contruções são datadas entre o século XI e o século XIII, tempo em que era a capital do primeiro Império Birmanês, como a capital migrava a cada reinado, Bagan foi abandonada e repovoada algumas vez, até quando em 1057, o rei Anawrahta conquistou a capital do Império Mon, Thaton, situado na baixa Birmânia, e trouxe de volta escrituras sagradas, parte da corte, monges budistas e artesãos, que ajudaram a transformar Bagan em um centro religioso e cultural. Com a ajuda destes monges, Anawrahta fez o Budismo Theravada uma espécie religião do estado, que até hoje é praticada pela grande maioria.

Em 1287,  o lugar foi saqueado pelos Mongóis e abandonados pelo rei birmanês deixando de ser um centro político, mas continuou a florescer como um centro de estudos budistas. Hoje em dia existem mais de 2.000 construções religiosas em Bagan, menos da metade que as encontradas no auge do império.

O que mais impressiona é que ainda se pode viver, sentir e apreciar está história a todo momento, pois o país foi recentemente aberto e ainda não tem a influência comercial de nenhum lugar.

Quatro dias em Bagan aguçam demais a curiosidade e a criatividade, meditar, aprender sobre a vida dos monges e imaginar aquele povo vivendo naquele lugar era nossa maior diversão, estávamos no “quase” mais novo patrimônio mundial da humanidade. Bagan está sendo “classificado” e organizado para receber este título, um conselho: Corre pra lá, antes que isso aconteça!rs

A imensidão de templos me fez questionar sobre o que o homem é capaz de fazer pela fé e a gratidão ao seu Deus. Conversando com um menino local, nos foi explicado que cada família construía um monumento em agradecimento ao seu Deus e que cada tamanho representava situação financeira de cada uma. Ah então era pra Deus ou para impressionar os outros? Não cabe a mim julgar! Mas me perguntei  muitas vezes se o querido companheiro Budha concordaria com tantos presentes materiais ou se ele preferia ao invés de templos, que o ser humano tivesse mais tempo para dedicar ao silêncio, ao autoconhecimento e que as doações ao próximo faria mais sentido. Como ainda não obtive resposta, sigo bem quieto de e-bike nestas trilhas sinuosas a caminho de crescimento pessoal.

Gratidão a Myanmar, um pais onde a pobreza financeira e a nobreza de espírito se completam.

Leia também: Mynmar – O país que parou no tempo

Fotos: Rodrigo Borges

Author Rodrigo Borges

Ócio Criador do Folga na Direção. Criativo por natureza, músico por vocação, ator por educação e empreendedor por diversas razões. Formado em Marketing e Agronegócio.

More posts by Rodrigo Borges

Join the discussion 2 Comments

Gostou? Então deixe aqui seu comentário!