CARPE Projetos Socioambientais – Transformação de espaços com harmonia

CARPE Projetos Socioambientais – Transformação de espaços com harmonia

By 1 de junho de 2015 Sem categoria No Comments

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Algumas histórias são tão inspiradoras que fazem a gente ter vontade de se levantar da cadeira, parar de pensar e tomar uma atitude em relação à maneira de agir no mundo. A CARPE é um exemplo desses, de pura e legítima (r)evolução, e por isso o Folga tem uma admiração muito especial por essa empresa. A naturalidade da inovação da CARPE, sua capacidade de transformação de espaços e quebra de vários conceitos de empreendedorismo atuais, com muita legitimidade e harmonia, é incrível. Eles são o tipo de projeto que muita gente diria que nunca ia dar certo. Pois dá. E muito certo.

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A história da CARPE começa a partir de pessoas, não de uma ideia, pessoas juntas num lugar onde a terra é o centro das atenções: uma faculdade de geografia. Yuri Diniz, Tomás Mendonça, Conrado Stroligo e Fernando Tanscheit, amigos de longa data e colegas de faculdade, entraram bem novos na universidade, cabeças jovens e até então sem muita noção do que o mundo socioambiental significava. A história começa bem antes da CARPE nascer, em 2009, quando Yuri, Conrado e Fernando participaram do curso de Agrofloresta do suíço Ernst Götsch, em Itacaré – BA. “As possibilidades que vi com o Gotsch me surpreenderam muito. Repensei muitas práticas prórias, criei um hábito de sustentabilidade.”, diz Yuri.

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Foi com esse hábito que o Yuri propôs em 2011 um projeto na favela da Rocinha, buscando caminhos sustentáveis através de hortas verticais e um sistema de coleta seletiva, em parceria com moradores do bairro. O Tomás foi convidado pelo Yuri a participar, mas o projeto acabou não acontecendo, por dificuldades diversas. Mas o Yuri não ia parar aí: “Eu queria muito fazer aquele projeto, mas tive problemas com o local. Aí pensei: porque não tento fazer algo onde eu moro? E decidi começar no meu prédio, como um piloto de empresa.”.

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O projeto foi para frente, e os dois amigos criaram hortas coletivas no prédio, além de um sistema de coleta seletiva, tudo usando os conhecimentos que tinham absorvido no curso de agroflorestas e experiências próprias. O piloto de empresa que estavam elaborando se concretizou: Criando Ambientes Revolucionários Pela Educação é uma das muitas siglas possíveis com o nome CARPE. Em latim, CARPE significa aproveitar, curtir. Para eles, significa revolucionar e transformar para viver. logo CARPE

Em 2012, com a Rio+20, conferência da ONU para a sustentabilidade, Yuri, Tomás, Conrado e Fernando participaram de um curso de turbina eólica, onde surgiu uma proposta incrível: construir uma turbina eólica em Araruama-RJ.”Foram 2 semanas de trabalho contínuo, sem fim de semana, sem folga, uma das experiências mais incríveis que já participamos, e que sem dúvida serviu pra consolidar a gente como CARPE”, diz Tomás. Após essa experiência, a turbina eólica e outros projetos foram apresentados em diversos institutos e fundações, como a Gaia Education.

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No ano de 2013, a estruturação da empresa se deu através da prestação de cursos diversos, educação ambiental, cursos de agrojardins e florestas, hortas coletivas e coleta seletiva. “O ano voou com muita prosperidade, trabalho e novos contatos, pessoas e experiências incríveis, revolucionárias”, diz Tomás. Viajaram para Piraí do Norte para mais uma visita a Ernst Götsch, um verdadeiro mentor para o surgimento da CARPE.

Após um ano de muito trabalho, em 2014 Tomás decidiu tomar a frente da estruturação dos setores administrativos e financeiros da empresa. O modelo de negócios inovador de “independência na interdependência”, com reuniões semanais, votações não presenciais e autonomia nas decisões já andava com suas próprias pernas, e chegava a hora de documentar e registrar para fortalecer ainda mais a CARPE como uma empresa.

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Criaram uma plataforma de gerenciamento online, estabeleceram suas linhas de trabalho, reduzindo de 12 para 5: Agricultura Inteligente/ Gestão de Resíduos/ Comunicação e Cooperação/ Eficiência Energética e Bioconstrução/ Educação Ambiental. A relação com redes de economia também foi uma iniciativa do Tomás Mendonça, com a participação da CARPE em redes de coworking como o Catete92, e posteriormente na Arca Urbana. Trouxeram novos parceiros: o economista Felipe Cunha, Karen Demavivas, empreendedora social americana que trabalha com agroflorestas, permacultura e ferramentas de desenvolvimento sustentável, incorporaram um designer, uma pessoa para o financeiro e parceiros jurídicos. “Agora é hora de criar condições pra que a Carpe gere impacto a partir de múltiplas sustentabilidades, realize mais projetos e se conecte com mais redes pelo Brasil.”, diz Tomás.

Com essa história de vida, fica claro que a CARPE promove transformação de espaços, é uma empresa voltada para a ação, constantemente em movimento, realmente um modelo de empresa que se diferencia muito dos formatos de negócios atuais. Promovem uma verdadeira evolução através da revolução, no lugar mais essencial em que ela pode acontecer: dentro de cada um que presencia suas ações, que ajuda, ensina e aprende com eles. São um veículo de evolução coletiva constante, totalmente comprometido com uma cidade melhor. Passo a passo, suas ações podem tornar o Brasil (esse país onde os projetos relacionados à natureza e ecologia são tão importantes) um país mais igualitário e que usa seus recursos naturais de forma responsável, pelas mãos (e sorriso) da sua própria população.

Leia também: Caronas que inspiram: Roberta Martiniano e Clube Orgânico: Trocando felicidade!

Author Albano Moura

Jornalista do mundo e produtor audiovisual em busca de novos lugares, pessoas e ideias. Soteropolitano (logo percussionista), apaixonado pela natureza e pelo conhecimento.

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