Será que nosso idioma molda nossa personalidade?

Será que nosso idioma molda nossa personalidade?

Fiquei instigada e escrever sobre esse tema pois reparei uma coisa muito engraçada em mim: eu mudo de personalidade estou falando inglês! Pois é, mudo a forma de enxergar as coisas, de interpretar as situações e mais, fico muito mais simpática e amigável. Inclusive me sinto muito mais confortável e desinibida conversando em inglês com desconhecidos, do que em português.

Pensando sobre o assunto, cheguei à conclusão que, como aprendi a falar inglês na Austrália, acabei pegando os trejeitos, expressões e a forma de ver certas coisas daquele povo. É como se eu ligasse o MODO AUSTRÁLIA no meu software interno e virasse outra pessoa…assim, bem estranho mesmo.

Fui pesquisar sobre o assunto e encontrei alguns estudos interessantes pela internet relacionadas a isso.

“A mudança na linguagem desenha com que a bagagem cultural associada a esse idioma.”

Vi que, quanto mais línguas você fala, mais flexíveis são os seus padrões mentais e maior a atividade do córtex pré frontal. Essa parte do cérebro, bem na frente do nosso crânio, é responsável pela memória, raciocínio e planejamento. É como se você tivesse um turbo ligado no cérebro e fosse capaz de lidar com novas situações de maneira muito mais fácil e fluida, afinal se exercita muito mais as conexões nervosas do que uma pessoa que fala apenas uma língua. Mesmo quando se fala sobre doenças que afetam o cérebro, a capacidade de recuperação das pessoas que falam outras línguas é bem maior

A linguagem influencia a linguagem como você vê o mundo.

Por exemplo, nós que falamos português, também os franceses e espanhóis, associamos gênero masculino e feminino para os objetos: O lápis, A porta, O portão, A calça. Por exemplo, é muito comum, para espanhóis um esquilo ser associado ao universo feminino, assim como, para sulmaericanos, a Terra, pachamama, é considerada para muitos povos nativos, como uma grande mãe.

Para um nativo da língua inglesa isso é muito complexo de entender. Certa vez um australiano me perguntou: Todos os objetos que estão em uma sala sala são femininos, certo? Então por que o sofá é masculino? Que critério maluco é esse?

Nós brasileiros sentimos dor de saudade, é só sentimos pois essa expressão existe em nosso dicionário. Pergunta se algum russo sente isso pra você ver! A língua portuguesa tem muito mais nuances de palavras para expressar sentimentos do outras, não seria consciência que somos considerados pessoas altamente passionais.

Também, a linguagem altera a percepção das coisas. Em grego, existem duas palavras para a cor azul- ghalazio para azul claro e ble para um tom mais escuro. Um estudo descobriu que os falantes gregos podiam discriminar tons de azul mais rápido e melhor do que falantes nativos de inglês.

Outro exemplo são os povos australianos Guugu Yimithirr, eles não tem palavras para direita e esquerda, apenas norte, sul, leste, oeste, portanto são absurdamente mais capazes de se localizarem em qualquer lugar desconhecido.

Para os falantes de mandarim, o tempo flui de cima para a baixo, já para nós, parece ser mais mais horizontalizado.

De modo geral, a linguagem nos ajuda a categorizar e classificar as coisas, acontecimentos e principalmente, os sentimentos. Ou seja, nossos sentimentos são moldados também pela nossa linguagem e nossa bagagem cultural.

Enfim, essas descobertas fizeram muito sentido pra mim e me esclareceram algumas curvas mal entendidas na minha cabeça, espero que faça sentido para você também 😉

Como diria nosso querido amigo Wilson Gonzaga, pense nisso minha comadre, pense nisso, meu compadre!

Se tem algo a acrescentar nesse tema, escreva aqui pra gente!

 

Author Roberta Martiniano

Empreendedora, Designer em Sustentabilidade pelo Gaia Education, gerente de projetos, publicitária, filha de artista, reikiana, aquariana, yoguini, viciada em viagens e música, ama meditação e espiritualidade. Carioca de coração, e totalmente apaixonada pela dupla sol e mar!

More posts by Roberta Martiniano

Join the discussion 2 Comments

Gostou? Então deixe aqui seu comentário!