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Caronas que Inspiram – Gabriel Gomes

Gabriel Gomes é comunicador social e co-fundador da Shoot The Shit, Cosmonauta e Múrmura. Suas ideias e seus projetos “tirados da gaveta” causam grandes e positivos impactos sociais. Um empreendedor com visão colaborativa que transforma sua energia criativa em execução efetiva.

Conte um pouco sobre sua vida: trajetória, formação, trabalho.
Minha vida começou em Londres, em 1989. Lá nasci durante um período de estudos de meus pais, professores nas áreas de design e desenho industrial. Com três anos rumei para Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul, onde tive uma excelente infância. Aos 16 anos me mudei, junto com minha família, para Porto Alegre, terminando o Ensino Médio e ingressando na faculdade de Comunicação Social na PUCRS.

Entrei com sangue-no-olho na Faculdade de Publicidade e Propaganda. Queria fazer tudo: trabalhar, aprender, fazer festa, conhecer gente nova, aproveitar aquele terreno super fértil para ideias e pessoas. Naquela época eu realmente queria ser grande, desenvolver projetos importantes e ser reconhecido. Era um objetivo e tanto, talvez não fosse impossível mas o sonho era tão grande que eu sentia uma necessidade de “não perder tempo”.

Há 5 quadras da minha casa ficava a DCS, a maior agência de comunicação da época do sul do país. Isso lá por 2007, 2008. Passava por lá todos os dias e pensava “Eu vou trabalhar aqui. Um dia, eu vou trabalhar aqui!”. Imaginava que seria o meu local de trabalho quando estive no meu auge profissional. Olhava, da rua, para as janelas e via aquela movimentação toda, paredes coloridas, gente bem vestida, vários livros, revistas e prêmios nas prateleiras. Só conseguia pensar “é aqui!”. A energia era tanta que com 19 anos tive a incrível oportunidade de começar minha carreira lá. Foi um choque.

Na época, a DCS tinha a melhor escola de Diretores de Arte do sul, e foi lá que aprendi muito do que sei até hoje. Além disso entendi o que realmente é o mercado de publicidade e propaganda. E não foi fácil. Chegava às 9h da manhã e saía às 19h para ir para a faculdade. E inúmeras vezes (inúmeras MESMO) voltei depois da faculdade para a agência e trabalhei até 2h, 3h, às vezes até amanhecer. Era uma rotina extremamente desgastante, desumana e corrida.

A curva de aprendizado era exponencial, mas a felicidade e vida social estavam proporcionalmente na direção oposta.

A gota d’agua foi quando cheguei pela terceira vez em uma semana às 7 da manhã em casa, no momento que minha família estava tomando café da manhã e indo trabalhar. Eu dormia pouco, estudava pouco e me relacionava pouco. Essa vida durou pouco menos de um ano. Foi quando disse pra mim que “Assim não dá, propaganda é do caralho mas nesse ritmo vou me estragar”.

Depois da minha saída da DCS, fui contratado pela Competence, uma excelente agência com clientes super tradicionais. Tinha uma pauta mais organizada, trabalhos que chegavam com mais antecedência e de certa maneira uma rotina mais controlável. Um local que ganhava muitos pontos simplesmente pelo fato de ter colaboradores incrivelmente especiais. Lá construí amizades que tenho até hoje. Nesse momento eu comecei a experimentar projetos de outra natureza. Projetos que gerassem relacionamento com clientes. E de certa maneira eu gostava de fazer aquilo e fazia bem. Pensei “Pô, eu sei fazer isso. Tá dando certo. Vou focar minhas energias em criar projetos com significado para as pessoas que consomem as marcas que eu atendo. Eu acredito que essa possa ser a propaganda do futuro.” Eu sabia que a comunicação entre marcas e pessoas precisava ser diferente. Então comecei a pensar nisso mas não fazia a menor ideia de como essa mudança no meu modelo mental impactaria diretamente no meu trabalho de ali em diante.

A parte triste da história é que para a agência e para os clientes dela, esse formato não fazia tanto sentido assim. Então, me sentia como se estivesse sendo pago para ser criativo, mas os projetos que eu mais acreditava acabavam esbarrando no prazo, verba, processo ou desgosto do cliente. E assim minha gaveta foi enchendo de projetos que eu acreditava muito. A vida de agência estava prestes a acabar.

Insatisfeito com o formato tradicional da agências, construí, junto com mais 2 grandes amigos, a Shoot The Shit (www.shoottheshit.cc), hoje um coletivo que busca melhorar a cidade através de intervenções urbanas, mas na época, apenas um espaço para tirarmos todos os nossos projetos da gaveta. A gente nem sabia o que estava fazendo, a gente só estava fazendo. Investindo nossa criatividade e conhecimento para propor uma nova visão de cidade. Pela Shoot The Shit, criamos projetos nacionalmente conhecidos, como o “Que Ônibus Passa Aqui”, o “Porto Alegre, Paraíso do Golfe”, o “Da Escola Pra Vida” e outros.

Em paralelo a isso, com 21 anos, co-fundei a Cosmonauta, um escritório de planejamento e criação de apresentações de alto nível. Em 2011, éramos apenas eu e meu sócio, Dudu Friedrich. Hoje é referência em criação de Power Points e Keynotes no Brasil, trabalhando com grandes marcas como Grupo Abril, Grendene, Grupo RBS, Melissa, Odebrecht, Rider, Panvel, Vonpar.

A Cosmonauta cresceu e hoje faz parte de um ecossistema de comunicação chamado Cartel 331. Uma casa no bairro Bom Fim de Porto Alegre que possui só empresas iradas.

Na transição de 2013 para 2014, me afastei da operação da Cosmonauta para tocar um novo empreendimento, o Múrmura, uma plataforma de inovação aberta focada em problemas urbanos. Em palavras mais feias: um site de desafios urbanos. Múrmura vem de Murmuration – um fenômeno que representa perfeitamente a nova era da colaboração – significa o som do bater das asas de milhares de pássaros voando juntos, um dos mais extraordinários acontecimentos da natureza.

Múrmura é um despertar para uma possível sociedade: interdependente, horizontal, distribuída e humana, onde marcas e pessoas demonstram que se importam fazendo a coisa certa por suas comunidades.

Nossa missão é entregar uma ferramenta para a população que permita a organização, articulação e criação de projetos criativos para melhorar as cidades de maneira distribuída. Acreditamos em microrrevoluções urbanas vindo das mãos das pessoas, e que através da inteligência coletiva vamos transformar a maneira como as coisas são feitas no Brasil. Se você está lendo isso agora, faça seu registro no site pois o lançamento será daqui alguns dias: www.murmura.cc

Para cada desafio há uma recompensa, e através de eventos de cocriação, construiremos uma comunidade que se importa e enxerga a cidade de uma forma diferente.

Também faço parte do Global Shapers Community, uma iniciativa do World Economic Forum que busca jovens de 20 a 30 anos que estão criando projetos de impacto positivo local.

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Como equilibra trabalho e vida pessoal? 
Entendo que é tudo a mesma coisa. Mas dando alguns passos para trás, fiz essa pergunta pra muitas pessoas, pois ela fez parte do tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso. “A influência dos projetos paralelos na carreira profissional e vice-versa.” A ideia era identificar os prós e os contras de investir energia em projetos paralelos e como isso poderia alavancar a vida profissional.

O equilíbrio que muitas pessoas buscam é devido a uma lógica dualista de trabalho e lazer, como se elas fossem coisas separadas. Então assumem projetos paralelos para serem felizes fora da profissão e suprirem a necessidade de fazer algo em que há paixão envolvida. Eu tenho muita sorte, hoje, trabalho, aprendo e me divirto com meus amigos. A minha vida pessoal é meu trabalho e meu trabalho é minha vida pessoal. Eu sou um só e a minha vida é uma só. Sou o mesmo que está na frente do computador trabalhando e que depois vai tomar uma cerveja na Praça São Salvador. E não é porque estou na São Salvador que não vou falar de negócios.

De que forma acredita que o seu trabalho contribui para a vida das pessoas.
O trabalho de um comunicador social é muito importante. Vale lembrar que a maioria dos problemas do mundo surgem por falta de comunicação. Se fossemos seres que sentam, dialogam e buscam chegar em um consenso, tenho certeza que algumas grandes guerras não teriam acontecido.

Entendendo o poder da comunicação nessa era, vejo uma oportunidade incrível para quem trabalha com Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas, a de fazer a palavra SOCIAL da nossa faculdade fazer sentido.

Essa responsabilidade social da nossa profissão que está sendo massacrada pela indústria do consumo. É hora de parar, respirar, refletir e rever alguns conceitos de trabalho. Essa reflexão gera mudança que pode impactar positivamente a vida de muitas pessoas, visto que nossa função vai muito além de anunciar um novo projeto, produto ou serviço, fazer promoção nas mídias sociais e mexer no photoshop. Temos o dever de transmitir mensagens que importam. Estou otimista para ver o que acontecerá nos próximos 10 anos de comunicação.

Voce já fez alguma escolha que acredita ter mudado completamente o rumo da sua vida?
Sim. Quando eu decidi ir na festa de lançamento de um projeto de quatro grandes amigos meus: Daniel Mattos, Ricardo Dullius, Rodrigo Nery e Fernando Locão, o projeto era o Saco Mágico, um sorteio maluco que durava 20 dias e premiava diariamente 1 pessoa com prêmios muito non-sense.

Nesse dia, vendo a emoção e a empolgação deles com o novo desafio, larguei a seguinte frase para Luciano Braga e Giovani Groff, grandes amigos que também estavam no lançamento do projeto “Pô caras, a gente também tem que fazer alguma coisa! Eu tenho várias ideias guardadas na gaveta, acredito que vocês também, vamos almoçar essa semana e ver o que podemos fazer juntos?”

E assim nasceu a Shoot The Shit, um projeto que só me trouxe felicidade.

Se você tivesse 5 minutos de atenção do mundo todo para um recado que acha fundamental para a humanidade, qual seria?
Ficaria em silêncio. O mundo todo poderia se beneficiar muito de cinco minutos de silêncio coletivo.” Nesse mundo atordoado de estímulos visuais, sonoros e sensoriais, estamos escutando muito o que vem de fora, e pouco o que vem de dentro. O silêncio ajuda nessa hora. Gostaria de agradecer ao Guilherme Lito que estimula essa prática. :)

O que gostaria que estivesse escrito em sua lápide, quando você encerrar a sua vida neste plano que vivemos? Moral da sua história.

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Compartilhe conosco um filme, livro ou artigo que inspira sua vida.
Acho super complicado sugerir filmes, livros ou artigos. Eu sempre tive dificuldade em dizer quais eram meus brinquedos preferidos, quais eram os lugares que eu mais gostava, quem era meu ídolo e por aí vai. Mas se pudesse deixar algo para que os leitores refletissem, deixaria uma frase que desconheço a origem, mas escutei por Marcio Callage a primeira vez: “Faça coisas interessantes que coisas interessantes acontecerão com você.”

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Author Rodrigo Borges

Ócio Criador do Folga na Direção. Criativo por natureza, músico por vocação, ator por educação e empreendedor por diversas razões. Formado em Marketing e Agronegócio.

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