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Buda e Eu!

-Por Roberta Martiniano –

Viajando pela Ásia a quase dois meses (interessados procurem por #100diasnaasia no Instagram) com foco na busca de culturas orientais e principalmente vivências espirituais, cheguei com uma sede imensa de conhecer diferentes técnicas de meditação, de rezas, de rituais e principalmente de entrar de cabeça no Budismo, que guardo grande admiração e curiosidade desde sempre.

Dentre os países que já passamos somente a Indonésia não tem Budismo como religião oficial. Em Bali praticam firmemente o Hinduísmo, já o restante do país é Mulçumano. Tailândia, Myanmar e Camboja notamos a predominância Budismo, embora este ultimo sofra certa influência de figuras Hindus também.

Vim com minha sacola de expectativas e pré-conceitos lotada! Sempre que pensava no Budismo no Brasil eu associava imediatamente com pessoas que seguiram uma linha alternativa à tradicional (Cristãos) e são super “cabeça boa”. Para tal, essas pessoas teriam acesso a uma quantidade maior de informações do que a “massa”, já teriam alcançado certo êxito material e buscam agora êxito espiritual, e consequentemente tem certa condição financeira que os proporciona tudo isso. Ou seja, indiretamente seria uma religião para poucos: elite.

Eu achava que ao me tornar uma Budista eu entraria para um reino encantado sem pobreza, sem apegos e adorações, cheio de pessoas iluminadas, bem sucedidas, alternativas, esclarecidas, que seguiam preceitos secretos e de quebra frequentaria templos incríveis. Obviamente que estava mega empolgada com a viagem para a Asia, pois finalmente alcançaria tudo isso e seria feliz para sempre! rsrs

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Após ter visitado mais de 500 templos, ter tido aulas com monges, participar da coleta de comida nas ruas com eles deslaça sob um sol de 40 graus, ouvir alguns Darmas, ter meditado aplicando diversas técnicas e ter passado algumas noites em um monastério em Myanmar dormindo no chão e fazendo 2 refeições no dia, minha sacola de expectativas começou a se esvaziar. Nesse texto não vou me aprofundar nos preceitos do Budismo Theravada, linha praticada por aqui, pois iria me estender demais, citarei algumas passagens que proporcionaram crescimento e reflexão.

Pude ver que o Budismo na Asia não é para a elite, é para todos. Comunidades que sofrem de extrema pobreza são super devotas a Buda. A adoração à sua imagem é algo que impressiona, existem estatuas de Buda de todas as cores, tamanhos, posições, disposições, materiais, roupas, etc. Alguns templos chegam a ter mais de 100 imagens de Buda! Muito diferente do que temos nas igrejas, não me lembro de ter visto inúmeras estatuas de Jesus em igrejas católicas: Jesus de prata, ouro, esmeralda, deitado, em pé, sentado, de lado, com cabelo, sem cabelo, com barba, sem barba…

Outro ponto impressionante é a meditação. A linha praticada é Vipassana (saiba mais AQUI). Uma passagem que marcou foi uma breve conversa que tivemos com um motorista de caminhão de uma comunidade carente. Perguntamos o que ele fazia quando não estava trabalhando, e ele disse que meditava. Quantas horas por dia? Na media 8. Que tipo de meditação? Fechava o olho e ficava apenas observando as sensações do corpo. Não é INCRÍVEL uma resposta dessa vindo de um motorista de caminhão que mal frequentou colégio? Está aí a diferença, meditação aqui é para todos, sem distinção. De senhorinhas que não sabem escrever a crianças, professores, empresários.

O desapego do ego também foi uma belíssima lição. Os monges raspam o cabelo, usam os mantos iguais, dormem no chão, vivem de doação com objetivo de praticarem a humildade mais pura, não se diferenciarem uns dos outros pois só assim se livram do ego e do desejo. Esse entende-se por qualquer sentimento de querer ou vontade. Segundo Buda, o desejo é responsável pelo sofrimento e não aceitação. Buscam somente vivenciar o presente e observar a mente, apenas observar, nunca interagir.

A alimentação é feita 2 vezes ao dia e o sono deve ter no máximo quatro horas e meia. O Budismo diz que esse é o caminho do meio e que ambos são suficientes para manter a saúde do corpo e da mente. A doutrina diz que os monges não podem ter entretenimento, nem ouvir musica, não podem fazer Yoga e muito menos ter relações amorosas. Tudo isso são ilusões passageiras e que geram sofrimento, pois uma hora os temos e outras não, portanto o melhor é excluí-las da vida cotidiana.

A essa altura minha sacola de expectativas já estava praticamente vazia. A principio confesso que fiquei decepcionada, pois se eu busco minha iluminação e a doutrina exige tantas abdicações, concluí que eu nunca serei uma iluminada! Afinal não tenho planos de parar de ouvir musica, me divertir, fazer Yoga ou acabar com meu relacionamento. A convivência com os monges e com os ensinamentos de Buda foi uma lição de vida. Entendi que vou ter que escolher a dedo os itens que quero levar na minha sacola. Por quanto vão comigo as lições do desapego dos desejos vazios, a desidentificação com ego e a visão clara do que é ilusório e passageiro. Definitivamente cada um tem seu próprio caminho do meio e devemos dar um passo de cada vez. Ao senhor Siddhartha Gautama (Buda) devo todo meu respeito, admiração e gratidão. Assim como ao senhor Jesus Cristo, que foi um grande exemplo de generosidade, bondade e coragem. Prometo me espelhar nos passos desses grandes ídolos e entendo que nunca serei um deles. Prometo também fazer o bem, falar positivamente, agir com dignidade, praticar o desapego e aquietar o ego. É tudo que uma peregrina do Samsara em busca do Nirvana pode prometer por agora :-)

Vou ficando por aqui!

Namastê, amém, que assim seja!

Leia também: O poder dos Mantas, Yoga do Riso, Qual é a sua tribo

 

Author Roberta Martiniano

Empreendedora, Designer em Sustentabilidade pelo Gaia Education, gerente de projetos, publicitária, filha de artista, reikiana, aquariana, yoguini, viciada em viagens e música, ama meditação e espiritualidade. Carioca de coração, e totalmente apaixonada pela dupla sol e mar!

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