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Empreendedorismo e o Ego

By 27 de novembro de 2014 Combustível No Comments

POST Empreendedorismo e o ego– Por Mariana Bonato –

Ter o empreendedorismo correndo nas veias pode nos trazer inúmeros presentes na vida. Podemos considerar inclusive como uma forma de se conectar com o todo, com aquilo que é maior, o nosso Propósito.

O empreendedor geralmente se movimenta de acordo com seus acontecimentos internos, com suas motivAções. Os motivos para agir são infinitos e mutáveis, eles dançam conforme a música que o coração emana. No movimento de criação da realidade que revela as vibrações internas de cada um às vezes encontramos alguns desafios.

O Ego, aquele rapaz que negocia com a gente o tempo todo lá dentro, pode nos persuadir a tomar certa distância de nosso real propósito, do que faz nosso coração vibrar e criar. Quando ele aparece com determinação fica complicado avaliar as ações e pensamentos de forma produtiva e com intenção de crescimento.

Esse rapaz surge de diversas formas, e todas elas muito bem camufladas. Às vezes nos confunde tanto que nem notamos sua presença.

O Ego adora nos dividir em vencedores e perdedores, esta é a brincadeira que mais gosta de fazer. Ele nos prega peças. E passamos a acreditar que a comparação com o outro é algo necessário. Porém, como seria possível se comparar com o outro, sendo que cada ser humano é único e incomparável?  Isso gera uma angústia paralisadora, pois o que somos como essência pode perder o sentido.

Faz sentido então a comparação com você mesmo, buscando sempre estar melhor do que estava em momentos anteriores. Isto é criar, criar movimento, criar possibilidades para crescer. Adubar seu terreno, torná-lo fértil para as próximas colheitas.

Lembrando-se sempre que a vitória é impossível o tempo todo.

O que torna nosso terreno fértil é justamente a caminhada, o percurso, os desvios e a determinação em continuar.

Na caminhada podem surgir mais brincadeiras deste rapaz. Ele pode te convencer de que você deve sempre estar certo. Que este é o propósito, e que sua verdade é absoluta e inquestionável. Que perigo!

Se somos seres mutáveis, em eterno movimento e transformação, como poderíamos ter tamanha certeza sobre algo? Como poderíamos no meio do caminho acreditar que encontramos a verdade e que ela é “A” verdade inclusive para os outros? Que pegadinha, não?

A necessidade de estar certo traz peso a vida e passa a secar nossa fonte de alegria. Portanto a pergunta que não quer calar: “Quero ser feliz ou estar certo?”. Desapegue da certeza, que a felicidade é puro movimento, é transformação. Metamorfose.

Outra curiosidade sobre este rapaz é que ele é guloso. Faz você acreditar que precisa sempre de MAIS. Mais, mais e mais.  A gula nada mais é que viver de forma insaciável. Isso combina bem com os conceitos que o sistema vive tentando nos vender. Que dupla infalível, o Ego e o Sistema forma uma dupla dinâmica, entretendo a todos com seus truques de ilusionismo.

A ilusão se dissolve quando passamos a prestar atenção no momento presente. No aqui e agora. Nos presentes que a vida nos traz a cada segundo. Por estarmos iludidos, ficamos alienados de nossas conquistas, de nossas reais colheitas que precisaram de tanto esforço e amor para acontecer.

Por fim, mas não menos intrigante, ele nos propõe um lugarzinho na vitrine. Ele nos faz um convite a viver dependendo do olhar do outro. Dependendo da opinião do outro. Desta forma a “reputação” se torna algo precioso, até demais.  Ele nos faz acreditar que temos algum controle sobre ela. Porém, como o lugar mesmo nos mostra, uma vitrine serve para que o outro crie suas percepções a cerca do que somos. Ou seja, a “reputação” está no pensamento do outro, não em você. Como podemos ter controle sobre isso?

Não adianta fazer poses diferentes, trocar as roupas, alternar as máscaras na tentativa de controle, pois cada um que lhe observar vai criar sua própria imagem sobre você. Pode ser bem cansativo tentar controlar uma multidão, não é?

Como então negociar com este rapaz arteiro?

Esvaziando. Percebendo-nos como eternos aprendizes, que tem sempre espaços vazios, para que as novidades, os presentes e as dádivas possam entrar.

Um empreendedor cheio fica pesado para seguir seu fluxo e seu movimento pode ficar cada vez mais lento.

Leveza e disponibilidade para aprender são os mantras do empreendedorismo. Dê uma folga a você mesmo e passe a brincar com seus vazios. Eles podem ser muito divertidos!

Liberte-se deste rapaz brincalhão chamado Ego e crie suas próprias brincadeiras!

 

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Manoel de Barros

Leia outros textos da Mariana: Refugiar é preciso, Empreendedor, Eu?

 

Author Mariana Bonato

Psicóloga e Consultora, criadora da RDH Ressignificando Desenvolvimento Humano. Vive em meio a movimentos intensos guiados por sua imensa curiosidade quanto as experiências humanas. Acredita que a vida pode ser leve e sonha em provocar as pessoas através da idéia-movimento “Amor Muda Humor”

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