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Meditação Vipassana – A ciência da mente

– Por Roberta Martiniano-

Fazendo uma visita a um monastério em Bangkok, Tailândia, conheci um novo (pelo menos para mim!) método de meditação. Logo que entrei na sala principal do monastério pude observar algumas pessoas andando de forma beeeeem lenta e concentrada de um extremo ao outro da sala. Curiosa que sou logo fui perguntar o que aquelas pessoas estavam fazendo e fui surpreendida com a resposta: estão meditando! Achei muito interessante esse método e quis saber mais, muito mais. Fomos apresentados a um monge que pouco a pouco foi nos explicando como essa meditação funcionava e nos deu um livro sobre a Vipassana Meditation. Fomos para o hotel, devoramos o livro e voltamos no dia seguinte para a primeira aula prática.

A meditação Vipassana, praticada pelos Budistas, existe a mais de 2.500 anos e é considerada curadora de todos os males, uma ciência da mente, sendo esse seu propósito: extinguir o sofrimento do ser humano. Sua técnica foca na observação e atenção completa das sensações físicas e demandas da mente com objetivo que esclarecer o que é real e duradouro e também o que é transitório e passageiro. A prática contínua proporciona autocontrole, auto-conhecimento, desidentificação com a mente, liberação de ilusões e muita paz interior.

VIPASSANA significa olhar dentro de algo com clareza e precisão, ver distintamente cada componente, penetrar todo o caminho, vendo assim a realidade mais fundamental de cada coisa.

O objetivo central dessa prática é ver a verdadeira natureza do corpo/mente da forma como realmente é, e não como aprendemos a acreditar ou supomos que seja. Ver as coisas como são produz a compreensão correta e a sabedoria, por meio das quais a ignorância e o sofrimento são eliminados.
vipassana

 

Há duas formas de se praticar, a primeira é sentada e a outra é andando lentamente.

Meditação sentada:
Sente-se com as costas eretas e confortavelmente. Feche os olhos e concentre-se na sua respiração. Você pode escolher entre atentar-se para o movimento das suas narinas, peito ou abdome. Na Tailândia praticamos a atenção no abdome, no movimento de enchimento e esvaziamento de ar. Fixe a atenção nesse movimento, apenas nesse movimento do seu corpo de modo que a mente e o corpo estejam integralmente fazendo a mesma coisa. Não se cobre fazer por um período muito longo, comece com 10 minutos e vai aumentando gradativamente. No monastério o mínimo para se praticar é por uma hora, os monges praticam aproximadamente 8 horas por dia, mas para nós ocidentais, damos um descontinho!

Certamente sua mente vai tentar distraí-lo, pensando em coisas, criando situações, ouvindo barulhos externos e etc, mas isso é muito natural. O que deve-se fazer é observar esse movimento da sua mente calmamente, sem lutar contra, e deixá-lo partir. E logo volta-se para a atenção para sua respiração novamente. Não interaja nem lute contra seus pensamentos, seja apenas um espectador e sempre volte para sua respiração. O mesmo acontece quando você ouvir um barulho e se distrair, apenas observe que seus ouvidos estão ouvindo e logo volte para a respiração. Quando vierem pensamentos “anote” mentalmente: pensando, pensando, pensando. Se sua mente lhe trouxer uma situação que te faz sentir ansioso “anote”: me sentindo ansioso, me sentindo ansioso…o mesmo se sentir vontade de se levantar, “anote”: com vontade de levantar, com vontade de levantar…dessa forma você consegue observar as vontades da mente sem necessariamente respondê-las.

Com a praticam pouco a pouco, sua mente vai aumentando o intervalo entre uma distração e outra, em poucas práticas já se nota uma diferença enorme!

Meditação caminhando:
Essa meditação pode ser praticada sempre que estivermos andado por aí. Consiste em levar nossa atenção a cada passo, a cada movimento de perna, ao pé tocando no chão, a cada respiração, a todas as sensações do nosso corpo enquanto andamos. Não significa olhar para nossos pés, o foco é interno. Para melhor concentração, mantenha os olhos a diante, fixo em um ponto à frente.

Como sempre andamos para chegar a algum lugar, a mente tende a pensar somente no destino ou em devaneios quaisquer. No caso da Vipassana o caminho e como se percorre esse caminho são muito mais importantes.

Para começar a caminhar, como prática correta de meditação, deveríamos ter a intenção específica de fazê-lo durante certo período de tempo – por exemplo, dez minutos – em um lugar no qual possamos andar lentamente de um extremo a outro. E quando a mente escapa dos pés ou pernas, ou da sensação de como o corpo caminha, com toda tranquilidade a trazemos de volta quando nos damos conta disso.

Como pode parecer estranho a outras pessoas que caminhemos de um lado a outro sem finalidade aparente, especialmente se o fazemos devagar, seria bom praticar em algum lugar no qual não possamos ser observados, como em nosso quarto ou na sala.

Uma vez que tenhamos praticado o caminhar com plena atenção como exercício formal e experimentado em que consiste, poderemos praticar com grande facilidade um modo mais informal de caminhar com continuidade de consciência em muitas outras circunstâncias da vida.

Você vai notar que no início a mente tenta de tudo para tirar o foco pois essa é a função dela: criar! A mente foi feita para criar o tempo todo, mas quando se entende que ela é apenas uma ferramenta do seu SER, você também entende que não precisa deixá-la ativa o tempo todo. A proposta é usar a mente apenas quando precisamos! Se você está meditado, ouvindo uma musica, correndo, tocando um instrumento, dançando, fazendo yoga e etc use seus sentidos, seu corpo, seu instinto, sua intuição e não sua mente, entende? A meditação Vipassana nos proporciona uma clara distinção de quem realmente somos do que nossa mente é. Os benefícios são sensação de desapego, paz interior, extremo auto-controle e grande auto-conhecimento.

Se quiser saber mais a fundo sobre a tradição, metodologia e onde praticar, acesse AQUI!

Leia outros textos também: MeditaçãoBioenergiaAnsiedade – sai pra lá!

Author Roberta Martiniano

Empreendedora, Designer em Sustentabilidade pelo Gaia Education, gerente de projetos, publicitária, filha de artista, reikiana, aquariana, yoguini, viciada em viagens e música, ama meditação e espiritualidade. Carioca de coração, e totalmente apaixonada pela dupla sol e mar!

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